2006 nº 02
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

  2006 nº02 - Imel Adorarte 2006

Entrevista: Pastor Rodolfo Veronese

  Com um estilo descontraído e jeito bem-humorado, o pastor  Rodolfo Veronese circulava à vontade entre  a multidão de adolescentes e crianças que participaram da última edição do Adorarte. As roupas informais (calça esportiva, camiseta e tênis) poderiam facilmente confundi-lo com um dos muitos participantes do evento. Mas o walkie-talkie sempre à mão denunciava o oposto. Sem desligar do aparelho de comunicação, ele mantinha-se atento a cada atividade desempenhada pelo batalhão de 120 jovens que acamparam durante uma semana no templo da Igreja de Diadema. E com tranqüilidade distribuía atenção a todos, também delegava tarefas, dava conselhos e mantinha a disciplina da garotada. Foi durante um típico e movimentado dia de campanha – entre ensaios, apresentações, refeições comunitárias, debates e confraternizações – que o pastor Rodolfo Veronese, responsável pela Igreja de Diadema e coordenador do Imel Adorarte 2006, concedeu a entrevista a seguir.

Como está sendo a experiência de coordenar o Imel Adorarte?
Tem sido muito boa. Nos primeiros dias, foi um desafio ajustar tudo. Tinha muita gente nova e eu ainda fiquei gripado. Mas depois, as famílias se ajustarem e começarem a fazer as coisas. Desde então, tem sido uma experiência muito legal.

Como surgiu a idéia de realizar a campanha deste ano na Igreja de Diadema?
Eu participei da primeira campanha como pai de família. Assim que tive contato com esse ministério, pensei: “Puxa, isso é muito legal. Traz frutos muito bons”. Ano passado fui pai de família novamente, e vi que o grupo de Diadema havia crescido bastante. Mas, ainda assim, a Igreja de Diadema conhecia muito pouco do ministério. Muitos pais imaginavam que, durante a campanha, os filhos passavam o tempo todo dançando. A gente queria mudar essa visão, mostrar que não é bem  
isso e que esse é um ministério sério. Além disso, há muitos anos, na Igreja de Diadema, existe um grupo de street dance chamado Imortal. Para eles, também seria interessante conhecer e ver como funciona a campanha. Então, percebi que seria muito importante para todos realizar a campanha aqui.

Os adolescentes e as crianças são o principal foco do Imel Adorarte. Por quê?
Na Bíblia, vemos várias vezes Deus usar o adolescente. O adolescente tem uma capacidade e até uma propensão para mudança que o adulto, às vezes, não tem. Eles são uma força importante. Tanto que me chamaram para a Igreja de Diadema para que eu trabalhasse como foco principal as crianças e os adolescentes.

  Que tipo de valores e ensinamentos são ensinados aos participantes?
Uma coisa que temos trabalhado muito este ano é o chamado Coração Limpo, que significa estar sem mágoas e ressentimentos dentro do coração. A gente precisa resolver essas coisas, pedir perdão e perdoar. Existem coisas que são importantes, mas nada pode ser mais importante que Deus na vida deles. Eles vivem numa geração que fala que cada um é cada um, que o que vale é estar bem, sem se importar com princípios morais. A gente mostra que não é assim. Querer ter coisas para se sentir bem não é o mais importante. O mercado usa os jovens para vender coisas, porque eles são um nicho de mercado. A gente está mostrando  essa situação e lembrando o que realmente é importante. Os valores que servem de base para o Adorarte são conhecer a Deus e fazê-lo conhecido. Essa é a base do ministério. Tudo o que realizamos aqui é para fazer com que eles conheçam mais a Deus.

Qual é o seu balanço da campanha deste ano?
Ela está cumprindo as expectativas muito mais do que imaginávamos. No começo foi difícil, pois muitos deles vieram desanimados, com problemas que trouxeram de suas casas, igrejas e cidades. Esse era um sentimento geral.  Mas, logo no início, tivemos  momentos muito importantes de desabafo, de tentar resolver os problemas, de ir até o amigo e pedir perdão. Depois disso, Deus  tem feito coisas maravilhosas por todos.

Após a campanha, os jovens voltam para casa mudados?
Eles voltam diferentes. E, com certeza, vão lembrar muito das coisas que passaram aqui. A gente tenta ensinar obediência e respeito, e valorizar esse tipo de conduta. Com certeza, eles voltam com um ânimo diferente e dispostos também a servir.
Um adolescente que, por exemplo, nunca lavou pratos, aqui vai fazer isso. E vai descobrir que não é tão grave. E talvez comece até a ajudar mais em casa.
Eles também lembram muito das famílias que formaram aqui. É uma experiência que marca demais, pois se criam laços afetivos muito fortes. E isso não fica restrito só à campanha. Tem adolescente participando de todas as campanhas, que foi meu filho na primeira e que não me chama nem de pastor nem de Rodolfo, mas de pai.

  O que o senhor diria para os pais e filhos que ainda não conhecem o Imel Adorarte?
Eu diria que a fachada é a dança. Mas, como eu disse, essa é só a fachada. A dança é um detalhe, é uma conseqüência daquilo que eles vêm buscar. É também a forma que eles encontraram de servir. Eles ficam aqui, se esforçam em ensaiar, em dar o melhor de si. Mas não é só uma dança, não é só um passatempo. É realmente um meio de conhecer a Deus e fazê-lo conhecido.