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O
começo do trabalho Metodista Livre em Takefu
- Japão
(Testemunho
de Gláucia Hiromi – julho
de 2005)
Em
certos momentos da vida ficamos meio atordoados, sem
ação, pois são tantos os problemas
que nos perturbam, que não conseguimos enxergar
os planos de Deus para nós. Mas quando permitimos
que o Senhor tome a direção tudo vai ficando
claro aos nossos olhos, e principalmente ao nosso coração,
porque daí os problemas já não são
só nossos.
Nesta caminhada da vida cristã, tenho aprendido o que significa obedecer
ao Senhor. Tenho ainda muito que aprender, mas tentarei mostrar alguma coisa
que Deus fez por mim e por minha família no Japão.
Antes de tomar a decisão de irmos ao Japão para trabalhar como
dekasseguis, orávamos sempre a Deus para que Ele enviasse alguém
para falar do Evangelho aos meus irmãos, que um dia já ouviram
falar de Jesus e estavam afastados. Eu sentia muita tristeza por isso.
Mas certo dia Ciro, meu marido, sentiu através da Palavra do Senhor que
nós é quem deveríamos ir ao Japão: “O vento
sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde
vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” – Jo.3.8.
Eu na verdade, nem sonhava ir àquele país tão longe, ainda
mais com as crianças na idade escolar. Muitas pessoas, sabendo de nossos
planos de ida ao Japão, fizeram propostas de emprego, achando que o problema
principal era financeiro. Mas o que estava no coração mesmo era
obedecer ao que o Senhor havia dito a nós.
Tínhamos que deixar tudo para trás começando uma nova vida
num lugar totalmente diferente. Era um passo muito importante em nossas vidas,
realmente um passo de fé.
Mas Deus é tão maravilhoso que foi cuidando de tudo, passo a passo.
Muitas vezes não conseguia entender qual era o plano de Deus, mas nessas
horas em que me sentia assim, Deus me falava através da Palavra que era
para crer somente, que Ele mostraria algo especial para nós lá longe.
E Deus foi revelando o seu plano no seu devido tempo, testando minha paciência
e fazendo-me aprender a confiar num Deus que quer o melhor para seus filhos.
Ciro foi um pouco antes ao Japão, e procurou uma casa grande, de tamanho
razoável, para que pudéssemos fazer reuniões em casa, de
acordo com o que tínhamos pensado fazer. Aos nossos olhos, talvez fosse
muita pretensão pedir a Deus uma casa assim, ainda mais no Japão.
Mas, com muita oração, Deus aprovou. Sim, Deus providenciou uma
casa grande, para podermos realizar um trabalho para o Senhor. Na verdade nem
sabíamos direito como poderíamos servi-lo, mas sabia que deveríamos
fazer e dar o melhor de nós. E assim foi feito!
Passado alguns meses orando pelo momento certo para se iniciar as reuniões
em casa, certo dia recebi um telefonema de uma pessoa que não conhecia,
mas que tinha referência nossa e que estava procurando um lugar para participar,
pois era também da IMEL no Brasil.
Justamente naquele final de semana o Pr. Kiyohiko e um grupo enviado pela Metodista
Livre do Concílio Nikkei estaria conosco. Esta reunião, realizada
em maio de 2000, foi o início do trabalho do Senhor em nossa casa em
Takefu. O primeiro culto aconteceu no dia 23 de junho do mesmo ano, com o pastor
Carlos
Seiji.
No começo achávamos que uma reunião por mês seria
o suficiente para apenas compartilhar e passar momentos louvando a Deus. Mas,
para espanto nosso, os participantes pediram para que nos reuníssemos
todos os fins de semana.
Nós na verdade não queríamos que eles se cansassem, depois
de um dia exaustivo de trabalho. Mas vimos a necessidade de estarem juntos e
não podíamos negar, pois essa era nossa função. Talvez
fosse um lugar que se sentiam bem, pois podiam falar sem medo, pedir orações,
principalmente pelo ambiente de trabalho.
Além de adultos, algumas crianças acompanhavam seus pais. Diante
da necessidade de haver um momento com as crianças também, minha
filha Jéssica, que na época estava com nove anos de idade, se dispôs
a ficar com elas. Além de cuidar, também contava historinhas bíblicas.
As reuniões sempre aconteciam à noite, e houve muita rotatividade
de pessoas, pois no começo do trabalho participaram umas 12 pessoas.
Depois de cerca de um ano, houve o primeiro grupo de batizandos.
Logo a seguir muitas dessas pessoas voltaram para o Brasil. Em determinada época,
fazíamos reunião, além de nossa família, com apenas
duas pessoas. Foi uma fase difícil, pois tinha horas que dava vontade
de desistir.
Nesse tempo, minha irmã voltou ao Brasil, sem que tivesse se comprometido
com o Senhor. Ficou algum tempo e retornou ao Japão. Não tínhamos
desistido do trabalho do Senhor em sua vida, e sabíamos que Deus iria
fazer a obra pela qual fomos chamados. Através dela eu vi como Deus opera
milagres na vida das pessoas. A maior alegria foi quando ouvi o testemunho de
minha irmã, dizendo que depois de tanto tempo lutando contra o vento,
decidiu-se estar com Jesus novamente. Naquele momento vi como somos meros instrumentos
nas mãos do Senhor, e não sabemos de que modo, ou tempo, Ele irá agir.
O que precisamos apenas é esperar pacientemente nEle.
O retorno de minha irmã a Jesus no Japão foi confirmação
dos planos de Deus para nossa vida. Tínhamos ido para lá com peso
pelos nossos parentes, e agora ela estava novamente em comunhão com
o Senhor.
Nossos filhos estavam em idade escolar crítica, e por isso, decidimos
que, cumprida a missão que Deus havia nos dado, era hora de voltarmos
para nosso país. Cerca de 40 pessoas estiveram participando no culto
em nossa casa durante este tempo, e dentre eles, 10 se batizaram.
Olhando esses cinco anos que passamos fora do Brasil, foi um verdadeiro aprendizado
para nossas vidas, porque vimos qual é a verdadeira necessidade das pessoas
que estão no Japão. Vimos que o dinheiro que se busca lá,
não é o suficiente para dar a completa felicidade às pessoas.
Muitas continuam carentes de Deus, e mesmo sentindo-nos incapacitados para ajudá-las,
Deus nos usa como somos e é Ele quem nos preenche do Seu amor para poder
continuar na luta, amando as pessoas.
Um versículo que muito marcou minha vida no Japão foi Efésios
1: 11(pois tudo é feito de acordo com o plano e a decisão de Deus.
Ele nos escolheu para sermos o seu próprio povo, unidos com Cristo, de
acordo com a sua vontade e com o que ele havia decidido desde o princípio).
Louvo a Deus por tudo o que Ele fez, e me ensina a cada dia que seu amor é o
suficiente para ser usada em sua obra, conforme o seu querer.
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